Como líderes e países reagem à crise?

Pandemias como essa do CoronaVírus criam situações extremamente raras, pouco previsíveis e com potencial de impacto alto, chamadas de “Cisnes Negros” pelo autor Nassim Taleb. Ele é um grande pensador contemporâneo, e autor do livro Antifrágil. 

Nós falamos sobre ele e como ser antifrágil no podcast 029 Antifragilidade – A chave da evolução. 

Segundo Taleb, o evento raro que ele chama de Cisne Negro tem três características: é imprevisível, impactante e passível de explicações apenas após acontecer.

Todas as empresas, sociedades e países estão sujeitos a crises. Podem ser acidentes graves, desastres naturais, ataques digitais capazes de parar uma empresa, vazamento de dados, declarações públicas desastrosas e falhas graves de infraestrutura. 

A questão não é se você passar por  uma crise, a questão é quando. E mais importante ainda, é como você vai lidar com a crise. 

Em empresas e países que contam com líderes bem preparados, normalmente existe um trabalho de gerenciamento de risco estruturado, para atuar de forma preventiva e reativa em casos de emergência. 

Se a sua empresa ainda não possui, criamos um passo a passo básico para você montar este setor na sua empresa. 

5 REAÇÕES PROVÁVEIS DE LÍDERES

As reações mais prováveis diante de uma crise variam de acordo com o tipo de líder que está conduzindo a situação. Didaticamente eu diria que existem cinco perfis bem clássicos:

1. Os alienados. Vão falar em conspirações ou vão fazer piada com o assunto. Vão dar demonstrações claras de ignorância, desconhecimento, irresponsabilidade, alienação e desconexão com a realidade. Na sua comunicação, vão fazer uso de mentiras, bravatas, ironias e apostar que o problema vai desaparecer, como surgiu, sozinho.  

2. Os medrosos. Ficam paralisados, perplexos, sentem medo e transmitem muita insegurança para as pessoas. Não tomam decisões. São afetados severamente com notícias ruins. Ele são um vetor perigoso do pânico. Vão se comunicar de forma vacilante, imprecisa e com ações sempre aquém do tamanho do problema. 

3. Os truculentos. Vão agir com brutalidade, tomando medidas radicais e atitudes intempestivas. Em meio a crises que precisam de sinergia e união, ele vai cuidar dos seus próprios interesses e conquistar desafetos. Vai se comunicar de forma agressiva e impositiva e sempre vai dividir, onde deveria haver coesão.

4. Os racionais. Vão lidar com o problema de forma organizada, objetiva, sistematizada e lógica. Vão mobilizar pessoas e recursos para tomar ações baseados em planejamento. Sua comunicação será clara, assertiva e conservadora. 

5. Os sábios. Além de lidar com o problema de forma estruturada e racional, também vão mobilizar pessoas, sensibilizar a comunidade, inspirar pelo exemplo e lidar com serenidade e grandeza com os desafios que se colocarem em sua frente. Líderes assim sabem que o mundo é volátil, líquido e lidar com incertezas com equilíbrio é o melhor caminho para todos. Eles vão se comunicar de forma agregadora e inspiradora. 

 A crise revela o melhor e o pior de um líder. 

Agora que você entendeu como cada líder reage a uma crise, talvez tenha ficado claro como o CoronaVírus tem sido tratado aqui no Brasil. Essa reflexão eu deixo pra você.

3 CATEGORIAS DE PAÍSES: ANTIFRÁGEIS, RESILIENTES E FRÁGEIS

Quando o CoronaVírus tiver passado daqui há alguns meses, você vai ver exemplos de países retomando as suas atividades quase que imediatamente. Suas empresas vão se aquecer rápido e eles vão reverter o quadro econômico em poucos meses. Vão ter acumulado um aprendizado enorme e terão criado várias oportunidades no meio do caos que viveram. Esses são os países antifrágeis. Eles são conduzidos por líderes sábios.

Você também vai notar que alguns países vão resistir bravamente, terão passado a crise com equilíbrio e com danos, mas estarão em pé. Vão lançar projetos de médio e longo prazo para recuperação e em pouco menos de um ano estarão exatamente como estavam antes. Esses, são os países resilientes. Eles são conduzidos por líderes racionais

E finalmente você vai ver nações que chegaram no fim da crise em frangalhos, caindo aos pedaços, com hospitais vivendo momento de pânico, economia dilacerada, governo enfraquecido, empresas quebradas, desemprego nas alturas e com efeitos colaterais sérios. Esses são os países frágeis. Eles são conduzidos por líderes alienados, medrosos ou truculentos

Quando citamos líderes, não é apenas o presidente ou o primeiro ministro de um país, e sim a alta liderança da sociedade. 

A história já mostrou até aqui quem é quem, mas se você ainda tem dúvidas, confira os resultados após o CoronaVírus passar.

Como nós estamos vivendo um momento muito especial na nossa história, quero te propor algumas práticas para ajudar a atenuar o impacto da crise gerada pelo CoronaVírus. 

5 PRÁTICAS HD PARA VOCÊ APLICAR NA SUA EMPRESA E ATENUAR OS DANOS DA CRISE

Prática número 1

Monte um time para fazer a gestão da crise do Coronavírus. Traga pessoas criativas, líderes de área, profissionais fora da curva e gente participativa. Pense em cenários críticos. Liste todos os problemas que vocês já tem e que ainda terão pela frente. Converse abertamente com clientes, fornecedores, colaboradores e esteja atento ao movimento externo. Priorize e monte planos de ação para enfrentar os casos de maior impacto. Faça encontros (online, por enquanto) com esse time diariamente para atualizar as ações e direcionar as pessoas. 

Prática número 2

Se a sua empresa é de algum segmento essencial e não pode ser paralisada, então tome ações para melhorar a higiene na sua empresa.. Essa é uma das formas mais efetivas de manter um ambiente de trabalho seguro. Limpem os banheiros a cada hora, exija que todos lavem as mãos a cada hora, álcool gel pra todo mundo, ambientes abertos e ventilados e dispensa do máximo de pessoas possível, especialmente aqueles que apresentam sintomas. 

Prática número 3

Haverá com certeza impacto financeiro para todos. Mas podemos pensar em  uma boa notícia. Os juros vão despencar e será uma ótima hora para conseguir grandes financiamentos, renegociações de dívidas e alavancagem financeira do seu negócio. Então fique muito atento às oportunidades, inclusive como pessoa física. Eu não duvido que a Caixa Econômica empreste dinheiro a juros quase zero para financiamento imobiliário, por exemplo. 

Prática número 4

Como muitas pessoas vão estar fazendo o trabalho remotamente, aproveite essa oportunidade para organizar, experimentar e fazer isso de forma produtiva. A chance disso ficar como legado é muito grande. Pode ser uma oportunidade de ouro para reduzir custos, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Essa é a melhor oportunidade do mundo de você aperfeiçoar esse meio de trabalho.  

Prática número 5

Não repasse informações por redes sociais se você não tiver ABSOLUTA certeza que a notícia é verdadeira. A pior coisa que pode acontecer numa crise é a proliferação de informações erradas. Além disso, mesmo algumas notícias verdadeiras, não agregam nada e só causam pânico.  Resista a tentação de colocar gasolina no incêndio.

A evolução dos valores é assim: desinformação, desconfiança, insegurança, confusão, apreensão, medo, pânico, terror. Aprenda uma coisa, num momento de crise, os valores que neutralizam o pânico são LUCIDEZ, razão e objetividade. 

Seja responsável, não compartilhe fake news. 

O mundo precisa de você 

Nós estamos vivendo um momento ímpar na história em que soluções de problemas globais, dependem da atitude de cada indivíduo. Seja responsável. O momento existe razão. Nós brasileiros gostamos de fazer um meme, uma zoeira, uma piada… mas isso não ajuda. Se você quer fazer a diferença, seja responsável.

O mundo precisa de você. Será que você consegue fazer essas práticas para fazer a diferença na crise? Agora é só fazer aquela coisa que transforma! FA–ZER !

Nós fizemos um episódio especial do Podcast Líder HD contando como gerenciar crises. Inspire-se ouvindo nosso podcast:


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MICHAEL OLIVEIRA

Michael é Líder e Fundador do Instituto Brasileiro de Liderança. Atua em posições estratégicas há 20 anos, é especialista em gestão de negócios e já liderou equipes e empresas nas principais capitais do Brasil, ocupando cargos de gerência até CEO.

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